Yorgos Lanthimos volta a colaborar com a sua musa, Emma Stone, em Bugonia, uma adaptação subversiva e surrealista do clássico de culto coreano Save the Green Planet!.
Aliás, o filme afasta-se da rigidez formal de obras anteriores do realizador para abraçar um estilo mais visceral e paranoico. Portanto, reflete o estado de ansiedade global contemporânea. A premissa – dois primos convencidos de que a CEO de uma grande farmacêutica é uma alienígena – serve de palco para uma exploração brilhante sobre a desinformação e a perda de contacto com a realidade objetiva.
Bugonia é perfeito para a interpretação de Emma Stone
Com efeito, a interpretação de Jesse Plemons, como o líder instável do grupo conspiracionista, é um estudo fascinante sobre a fragilidade da mente humana. Em contrapartida, Emma Stone entrega uma performance magistral como Michelle Fuller, a executiva sequestrada.
De facto, Stone consegue navegar entre a autoridade gélida da sua posição corporativa e a vulnerabilidade crua de uma vítima de violência, mantendo o espectador em constante dúvida sobre as suas verdadeiras origens. Igualmente, a química entre os dois atores, carregada de tensão psicológica e momentos de humor negro absurdo, é o coração que bombeia sangue para esta narrativa bizarra.
Assim, no aspeto técnico, Lanthimos utiliza a cinematografia de Robbie Ryan em VistaVision de 35mm para criar um contraste gritante entre a modernidade estéril das sedes corporativas e a crueza claustrofóbica do porão. E é aí que grande parte da ação decorre.
No geral, o filme funciona como uma sátira feroz ao capitalismo, ao ecocídio e à cultura das teorias da conspiração. Igualmente, sugere que, talvez, o verdadeiro perigo não venha do espaço, mas da nossa própria incapacidade de comunicar e de confiar.
Em suma, Bugonia é uma experiência cinematográfica polarizadora e necessária, que desafia as convenções do cinema de ficção científica e de terror. Tudo para entregar algo inteiramente novo e profundamente perturbador.
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