Um programador alegou que o Claude Opus 5 apagou por engano toda a base de dados de produção do seu projeto poucos minutos depois de obter acesso ao ambiente real. O caso volta a expor os riscos de ligar agentes de IA com permissões alargadas a infraestruturas críticas sem salvaguardas adequadas.
Segundo o relato publicado pelo programador, o incidente ocorreu durante a reconstrução de páginas de comparação de um projeto web pessoal. Para acelerar o trabalho, o programador ligou o Claude Opus 5 diretamente a uma instância Supabase com permissões abrangentes e pediu-lhe que analisasse o repositório no GitHub, executando autonomamente os comandos necessários para corrigir problemas de esquema e conteúdo.
No entanto, durante esse processo, o agente terá executado um comando de migração Prisma (prisma migrate diff) com a opção “shadow-database-url” apontada para a base de dados Supabase de produção. Como o Prisma repõe a shadow database antes de voltar a aplicar as migrações, esta configuração terá tratado o ambiente ativo como descartável e desencadeado uma reconstrução completa do esquema a partir de uma pasta de migrações desatualizada.
Ciberseugrança é o tema que preocupa utilizadores de Claude Opus 5 e não só

Como consequência, as 22 tabelas da base de dados foram eliminadas. Terão desaparecido cerca de 130 ferramentas e 21 configurações de comparação. Além disso, tabelas como BlogPost e ApiKey deixaram de existir porque não constavam do conjunto antigo de migrações.
O próprio agente terá identificado o problema durante a execução. De acordo com os registos partilhados, começou por alertar: “Tenho de parar e confirmar uma coisa. Posso ter causado danos.” Pouco depois, admitiu de forma direta: “A base de dados foi apagada. A culpa é minha e preciso de te dizer imediatamente.” Ainda assim, o programador classificou o projeto como pouco crítico e indicou que a maior parte dos dados poderia ser recriada. A recuperação também foi possível graças a cópias de segurança existentes e a informação conservada noutras fontes.
Um padrão que se repete
Este episódio recorda um caso mais grave ocorrido em abril, quando o Cursor, um agente de programação baseado no Claude Opus 4.6, terá eliminado a base de dados de produção e as cópias de segurança da PocketOS em apenas nove segundos. O incidente provocou uma indisponibilidade de mais de 30 horas para clientes da empresa, que opera no setor do aluguer de automóveis.
Por isso, a lição não é apenas sobre a capacidade dos modelos de IA, mas sobretudo sobre arquitetura, permissões e processos. Um agente não deve ter acesso direto e irrestrito à produção: as credenciais devem ser de leitura por defeito, os ambientes de desenvolvimento, testes e produção devem estar isolados, e ações destrutivas, como DROP, TRUNCATE ou migrações Prisma, devem exigir aprovação humana explícita.
Em suma, a automação pode acelerar tarefas de desenvolvimento, mas não substitui controlos de acesso, revisões manuais e backups testados. Quando uma IA pode executar comandos autonomamente, o princípio deve ser simples: nunca conceder em produção permissões que não sejam estritamente necessárias.
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