As ações da Meta subiram de forma expressiva ao longo da última semana, passando de cerca de 95 dólares no final de junho para quase 670 dólares na sexta-feira. O entusiasmo dos investidores surgiu depois de a empresa ter apresentado dois novos modelos de inteligência artificial e revelado planos para iniciar a produção do seu primeiro chip de IA desenvolvido internamente, em setembro.
Na terça-feira passada, a Meta lançou o Muse Image, o primeiro modelo de geração de imagens criado pela Meta Superintelligence Labs. A ferramenta ficou disponível na aplicação Meta AI, nas Stories do Instagram e no WhatsApp. Conhecido internamente pelo nome de código Mango, o modelo interpreta instruções complexas, aceita fotografias como referência e permite editar imagens geradas através de esboços ou anotações.
Dois dias depois, a tecnológica apresentou o Muse Spark 1.1, um modelo multimodal concebido para programação baseada em agentes e automatização de fluxos de trabalho. Segundo o The New York Times, a Meta afirma que o Spark apresenta resultados comparáveis aos das principais soluções da Anthropic, OpenAI e Google em testes de escrita, raciocínio e programação. Além disso, Mark Zuckerberg voltou a publicar na rede social X pela primeira vez em três anos, descrevendo o Spark como um modelo de agentes potente e de baixo custo.
Chips próprios reforçam a ambição da Meta
Entretanto, a Reuters avançou que a Meta pretende começar a fabricar, em setembro, um chip de IA próprio com o nome de código Iris. De acordo com uma nota interna citada pela agência, o componente integra o programa Meta Training and Inference Accelerator, que prevê quatro gerações de chips.
O desenvolvimento está a ser feito em parceria com a Broadcom, enquanto a produção deverá ficar a cargo da TSMC. Com esta estratégia, a Meta procura reduzir a dependência de hardware externo e reforçar a capacidade de treino e inferência dos seus modelos de IA.
A empresa prevê implementar 7 gigawatts de infraestrutura computacional durante este ano e duplicar esse valor para 14 gigawatts em 2027. Além disso, pretende lançar uma nova geração de chips aproximadamente a cada seis meses até 2027, um calendário significativamente mais rápido do que o habitual no setor.
Por outro lado, surgiram notícias de que a Meta está a desenvolver uma unidade de infraestrutura cloud, designada Meta Compute. Caso se confirme, o projeto poderá colocar a empresa em concorrência mais direta com a Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud.
Só na sexta-feira, as ações da Meta avançaram quase 6%. Assim, o mercado parece estar a responder positivamente à expectativa de que os investimentos de dezenas de milhares de milhões de dólares em IA comecem a gerar produtos competitivos e novas fontes de receita. Ainda assim, a semana também trouxe polémica. A Meta retirou uma funcionalidade do Muse Image que permitia criar imagens de IA com base em fotografias públicas de outras pessoas no Instagram, sem qualquer notificação prévia, após críticas generalizadas.
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