O investidor Michael Burry (conhecido por antecipar a crise de 2008) voltou a criticar o ritmo de investimento das Big Tech em infraestrutura de IA. Segundo o The Times, Burry questiona se a Microsoft precisa realmente de gastar tanto em data centers e hardware especializado, sugerindo que a empresa pode estar a usar estes números “como alavanca para obter o que quer”, enquanto analistas falham em desafiar a narrativa.
As críticas não se limitam à Microsoft. Burry argumenta que o atual boom de data centers tem menos a ver com sobrevivência tecnológica e mais com consolidar um oligopólio que as empresas acreditam ser “demasiado grande para falhar”.
Em declarações citadas pela Seeking Alpha, Burry afirmou que “As gigantes tecnológicas, exceto a Apple, estão a gastar como se as suas vidas dependessem disso, quando claramente não dependem.” E acrescentou: “Monopólios, quase por definição, não precisam de gastar de forma desenfreada.”
Para Burry, o motivo real é outro, e tem que ver com o facto de “Os CEOs destas empresas assumem que lhes será concedido um oligopólio demasiado grande para falhar.” O investidor também mencionou OpenAI, Anthropic e Oracle, que não considera monopólios, mas que “pretendem fazer parte do oligopólio”. Na sua visão, estas empresas não imaginam quebrar o domínio de Microsoft, Amazon, Google ou Meta, mas sim juntar-se a ele sob a capa de um novo paradigma.
Gastos da Microsoft sob escrutínio e o risco de compromissos fora do balanço
As críticas surgem num momento em que o investimento da Microsoft em IA está a ser analisado com mais rigor:
- Em abril, a CFO Amy Hood disse que a empresa espera gastar $190 mil milhões em projetos de capital em 2026.
- Apontou também para $627 mil milhões em backlog contratado como prova de que o retorno virá.
- No final de setembro, Burry destacou cerca de $3 biliões em compromissos de data centers relacionados com IA entre Microsoft e pares, valores fora dos balanços.
Burry alertou que, se a procura por IA não corresponder às expectativas, estas empresas podem enfrentar grandes imparidades. Ele também já criticou antes a forma como hyperscalers subestimam a depreciação dos seus ativos, tornando os lucros mais favoráveis.
Crítico, mas acionista, Burry está exposto à Microsoft
Apesar das críticas, Burry não está a apostar contra a Microsoft, em abril, revelou uma nova posição na empresa, aproveitando uma queda significativa das ações.
Em junho, disse ter comprado call options de longo prazo com vencimento em dezembro de 2028. E, segundo a Seeking Alpha, as ações da Microsoft estão +9,5% este ano. Assim, o próximo grande teste será o relatório de resultados da empresa, onde investidores procurarão sinais de que Azure, Copilot e outros produtos de IA estão a gerar receita suficiente para justificar o investimento massivo.
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