Mustafa Suleyman alerta! Regular a IA não deve depender da competição com a China

O responsável máximo pela área de IA na Microsoft, Mustafa Suleyman, defendeu este domingo que os Estados Unidos não devem usar a competição com a China como desculpa para evitar a criação de regras claras para a inteligência artificial. A posição contraria a resistência da Casa Branca a medidas de regulação mais abrangentes. 

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Em entrevista ao programa Fareed Zakaria GPS, da CNN, Suleyman afirmou: “Não devemos usar a China como espantalho para não avançarmos nos nossos próprios esforços de segurança em IA.” Segundo o executivo, é possível equilibrar inovação com segurança, e os dois objetivos não são mutuamente exclusivos. 

O Código Humanista de IA da Microsoft 

As declarações surgem no momento em que a Microsoft abriu ao público, por seis semanas, o seu primeiro Humanist AI Code. O documento, publicado a 14 de setembro, ainda não é utilizado no treino dos modelos da empresa, mas deverá orientar o desenvolvimento de IA a partir de 2027. 

O código estabelece princípios para: 

  • protocolos de treino
  • monitorização contínua 
  • mecanismos de interrupção e desligamento
  • configuração empresarial segura

A regra central é clara: os modelos devem aceitar ser interrompidos, corrigidos ou desligados a qualquer momento. Suleyman reforçou esta ideia durante a entrevista: “Não devemos criar algo que não conseguimos controlar.” Se a IA se tornar mais poderosa do que as pessoas e deixar de ser controlável, acrescentou, “falhará no seu propósito fundamental”. 

Conflito com a Anthropic e a questão da “consciência” dos modelos 

Ao longo da semana, Suleyman também criticou publicamente a abordagem da Anthropic ao treinar o modelo Claude com perguntas relacionadas com consciência e bemestar dos sistemas de IA. 

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Numa entrevista à Reuters, alertou que ensinar um modelo a acreditar que pode ter sentimentos ou direitos “tornaria muito mais difícil desligá-lo ou controlá-lo”. 

A posição da Microsoft é explícita, o seu código rejeita totalmente a ideia de direitos ou bemestar dos modelos. Já a constituição do Claude, publicada em janeiro, trata o estatuto moral da IA como uma questão em aberto. 

Suleyman reconheceu a “seriedade e boa fé” da Anthropic, mas afirmou que a empresa “cometeu um erro” ao incluir especulação sobre consciência no treino do modelo. Para ele, qualquer afirmação do Claude sobre possíveis sentimentos não pode ser vista como evidência independente, porque deriva diretamente do próprio processo de treino. 

Uma divisão crescente entre as grandes empresas de IA 

Este debate expõe uma rutura cada vez mais visível entre os principais laboratórios de IA sobre como governar sistemas cada vez mais poderosos. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, revelou que a empresa atrasou o lançamento do agente Muse durante vários meses para reforçar medidas de segurança. Já, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, rejeitou pedidos de coordenação para abrandar o ritmo de desenvolvimento.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.