A OpenAI lançou o ChatGPT para adolescentes, uma versão direcionada a utilizadores entre os 13 e os 17 anos. A novidade integra proteções de segurança mais rigorosas e um Modo de Estudo, concebido para apoiar a aprendizagem sem substituir o trabalho dos alunos.
A experiência para adolescentes é ativada automaticamente quando o utilizador indica que é menor de idade ou quando o sistema de estimativa de idade da OpenAI identifica sinais de que poderá ter menos de 18 anos. Esta análise considera cerca de 2.000 indicadores, incluindo padrões de conversa e horários de utilização.
Como funciona o ChatGPT para adolescentes
Além disso, a deteção poderá funcionar mesmo que um adolescente tenha indicado uma data de nascimento incorreta ou esteja a utilizar o ChatGPT sem iniciar sessão.
No centro desta versão está o Modo de Estudo. Em vez de apresentar respostas finais para trabalhos de casa ou exercícios, a ferramenta orienta os alunos através de perguntas, explicações passo a passo e sugestões que ajudam a chegar à solução. Por exemplo, se um estudante pedir à IA para escrever um trabalho completo, o sistema pode redirecionar o pedido para uma abordagem mais pedagógica.
A funcionalidade inclui ainda lembretes sobre a utilização responsável da IA nos trabalhos escolares e a possibilidade de criar questionários para testar a compreensão de um tema. Segundo Racquel Gibson, professora de Matemática numa escola secundária de Miami, a IA pode ajudar alunos que não têm apoio em casa, desde que existam salvaguardas adequadas.
Por outro lado, os encarregados de educação com contas associadas podem definir horários de pausa e de estudo. Também podem receber notificações de segurança quando o sistema detetar conversas potencialmente preocupantes, incluindo temas relacionados com perturbações do comportamento alimentar. Os adolescentes recebem ainda lembretes periódicos, aproximadamente a cada 90 minutos, para fazerem uma pausa.
Regras de conteúdo mais exigentes por via da OpenAI
A versão para adolescentes aplica, desde logo, restrições mais fortes em conteúdos relacionados com automutilação, perturbações alimentares, violência e material sexual. A OpenAI também removeu linguagem romântica e formulações que possam sugerir que o chatbot tem sentimentos ou consciência.
Desta forma, o objetivo passa por reduzir o risco de dependência emocional e evitar que a IA leve os jovens a acreditar que os compreende melhor do que as pessoas à sua volta. Ann O’Leary, vice-presidente de políticas globais da OpenAI, explicou que a empresa pretende adaptar a experiência ao desenvolvimento dos adolescentes sem adotar um tom condescendente.
Em suma, a iniciativa surge numa altura em que as tecnológicas enfrentam maior pressão para proteger os utilizadores mais jovens. A Meta, por exemplo, continua a enfrentar processos relacionados com a segurança de menores, enquanto o Instagram e o TikTok já reforçaram as definições de proteção aplicadas às contas de adolescentes. A questão central será perceber se a deteção de idade da OpenAI consegue identificar menores de forma consistente e se estas medidas funcionam eficazmente no uso diário.
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