Smartphones – Envios a nível global caem para nível mais baixo em 13 anos

Os envios globais de smartphones caíram 11% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, atingindo o volume mais baixo registado num segundo trimestre desde 2013. A prolongada escassez de chips de memória continua a elevar os custos dos componentes e a pressionar os fabricantes em todo o mundo. 

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A queda resulta de uma reorientação sem precedentes da capacidade de produção de memória para a infraestrutura de inteligência artificial. As grandes empresas tecnológicas têm absorvido uma parte significativa da oferta mundial de DRAM para centros de dados, deixando os fabricantes de smartphones e computadores com maiores dificuldades em garantir componentes. 

Mercado de smartphones sofre com guerra

Além disso, a escassez, que começou a transformar o mercado no final de 2025, fez disparar os preços da DRAM. Em meados de 2026, os custos da memória LPDDR destinada a smartphones terão triplicado. 

Segundo a previsão mais recente da IDC, os envios mundiais de smartphones deverão recuar 13,9% no conjunto do ano, para 1,09 mil milhões de unidades – a maior contração anual da história do setor. A Counterpoint Research divulgou estimativas semelhantes, apontando para os volumes mais baixos desde 2013. “A crise de escassez de memória, cada vez mais profunda, continua a ser o principal fator por detrás da queda histórica de 14% esperada este ano”, afirmou Nabila Popal, diretora sénior de investigação da IDC.

A Samsung manteve-se como a maior fabricante mundial no segundo trimestre, com uma quota de mercado de 24%, enquanto a Apple atingiu uma quota recorde de 20% no período. Graças à sua escala e capacidade de praticar preços premium, ambas conseguem absorver melhor o aumento dos custos dos componentes do que muitos concorrentes.

Marcas premium resistem, mas não há alívio à vista 

Por outro lado, as marcas chinesas foram as mais afetadas. A DIGITIMES prevê que os envios de smartphones das empresas chinesas caiam 17,8% em termos homólogos no segundo trimestre, uma vez que marcas como Xiaomi, OPPO e Vivo reduziram as metas de produção devido ao aumento dos custos da RAM. 

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Em particular, os modelos de gama de entrada e de gama média têm sido os mais penalizados, já que a produção destes equipamentos se tornou progressivamente menos rentável. 

Ainda assim, não é esperado um alívio a curto prazo. Os analistas antecipam que a escassez se prolongue até ao final de 2027, altura em que deverá entrar em funcionamento nova capacidade de fabrico de memória. Entretanto, os preços médios de venda dos smartphones atingiram máximos históricos: a IDC prevê um preço médio de 550 dólares em 2026, mais 100 dólares do que em 2025. 

Por fim, o contexto geopolítico – incluindo a subida dos preços do petróleo e dos custos de transporte associada ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão – está a intensificar a pressão sobre os fabricantes.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.