A chegar ao mercado em janeiro de 2026, os auriculares Sony LinkBuds Clip Open-Ear Truly Wireless Earbuds (WFLC900B.UC), ou simplesmente LinkBuds Clip são uma sólida adição ao nicho de mercado em que se inserem. O preço? São 200 € em Portugal.
Os seus antecessores foram um dos mais peculiares, mas cativantes auriculares que testei, com um inesquecível formato de donut. A premissa? Entregar-nos uma banda sonora para o nosso quotidiano, mas mantendo-nos bem atentos a todo o envolvente.

São um produto peculiar, destinados a um público-alvo específico, pelo que recomendaria um teste em mãos (e ouvidos) antes da compra. Senão, vejamos.
Bom e menos bom…
+ Funcionalidades
+ Autonomia de bateria
+ Conforto de utilização
+ Percepção do envolvente
– Qualidade de Áudio
– Sem isolamento
– Sem carregamento wireless
– Caixa algo volumosa e pouco premium
Especificações dos Sony LinkBuds Clip
- Drivers: woofer de 10 mm e tweeter de 6 mm) – 10–48,000 Hz
- Codecs: SBC, AAC, LDAC, L2HC
- Bateria: mais de 8 horas (auriculares), total de 37 horas (com a caixa)
- Certificação: IPx4 (salpicos)
- Conetividade: Bluetooth 5.3, alcance de até 10 m
Auriculares Bluetooth do tipo aberto (open-ear)

Pode ser dito, aliás, que o seu exemplo ajudou a cimentar o potencial deste formato de auriculares no mercado e, desde então, assistimos a um florescer deste nicho. De facto, praticamente todas as grandes marcas têm, de momento, um produto similar.
Há vários esquemas de cor à escolha, do verde, bege-acizentado, preto e lilás, um rol diverso e bem moderno para este par de auriculares que não podemos usar em ambientes com muito ruído. Não obstante, são bem indicados para a nossa comuta diária.
É, de facto, esta a sua missão. Dar-nos um par de auriculares leves, cómodos e versáteis para ouvir alguma música durante as nossas deslocações de casa-trabalho. Seja para ouvir podcasts ou a nossa banda sonora favorita, sem nunca perder noção do envolvente.
Qualidade de som: onde estão os graves?

A utilização dos Sony LinkBuds Clip com as definições padrão de equalização foi melhor do que esperava em ambientes silenciosos, quando os usava em redor da casa, por exemplo.
Porém, importa frisar isto desde já – a qualidade de som varia imenso consoante a posição e colocação dos auriculares no teu ouvido. Ligeiramente desajustados e o áudio é fraco. Por outro lado, foi fácil – no meu caso – encontrar a posição ideal e aí o áudio era agradável.
Não chega a ser muito bom, nem excelente – sentimos a falta dos graves, o que para auriculares do tipo aberto é expectável. Ainda assim, pelo preço, fica difícil não esperar e querer mais qualidade de áudio durante a utilização diária destes auriculares modernos.

O pior? Ao utilizar os Sony LinkBuds Clip ao ar livre, na comuta diária entre estacionamento e escritório, uma caminhada de cerca de 10-15 minutos pelas ruas de Braga, aqui a qualidade de áudio sofre consideravelmente, caindo para algo muito banal – para o preço.
Fosse ao ouvir podcasts, ou sobretudo música (Clássica e vários outros tipos), a falta de um registo de graves bem definidos fez-se sentir. Ouso dizer, aliás, que gostei mais da experiência de utilização dos LinkBuds Open do que estes Clip.
Equalização tenta ajudar

Através da aplicação de companhia – a SoundConnect – temos acesso não só ao Equalizador, mas sobretudo aos Modos de Audição. Aqui, o modo Normal foi o meu escolhido, mas temos também o “Amplificação de voz“, “Redução de fuga de som” e “Música de fundo“.
É recomendável que instalem a app para Android ou iOS para tirar total partido das capacidades dos LinkBuds, com diversos extras para explorar na app. Com efeito, a aplicação tem muito para oferecer, ideal para quem gosta de explorar tudo.
Cada qual tenta, à sua maneira, melhorar a experiência de áudio, mas na prática acaba por trinchar mais uma fatia do espectro sonoro e não consegui usar outro que não o Normal, para pelo menos respeitar o áudio fonte, ciente das limitações deste formato de auricular.
Em suma, classifico a qualidade de áudio como aceitável – tendo em consideração o formato, e sobretudo se não forem entusiastas. Falta a riqueza e profundidade do palco sonoro a que a marca já nos habituou noutras soluções com preço similar.
Modos de Audição

Entre os aspetos mais positivos da aplicação Sony SoundConnect estão os Modos de Áudio para estes Sony LinkBuds Clip e não são mero marketing. Há, com efeito, um EQ (equalizador) de 10 bandas, bastante rico e que “salva” estes auriculares Bluetooth.
A seguir ao Modo Normal (neutro), temos o modo Amplificação de Voz que nos dá maior claridade para as vozes, ideal para ambientes ruidosos. Segue-se o modo de Redução da fuga de som que suprime os agudos, o que funciona, mas compromete a qualidade.
Sinceramente, ficam melhor servidos com o Modo Normal, optando pelo menor codec de ligação e, a vosso gosto, alguns retoques pessoais com o bom EQ de 10 bandas.
Controlos intuitivos nos Sony LinkBuds Clip

O controlo da reprodução de multimédia, do volume e demais funcionalidades é algo peculiar, mas francamente, um dos pontos mais positivos nestes Sony LinkBuds Clip.
Isto é, o controlo por toque não é feito nem na porção que fica à entrada do ouvido (o altifalante), nem na parte que fixa atrás da orelha (a bateria e centro de processamento), mas sim no que fica entre estas duas partes – o aro maleável dos auriculares.
Sim, tudo à base de “código Morse”, ou seja, diferentes combinações de toques no aro que une ambas as porções de cada auricular e isto tornou-se muito intuitivo no quotidiano. É impossível não acertar no sítio certo enquanto os usamos, tudo o resto é uma questão de memorização do número de toques necessários para o comando que pretendemos usar.
Importa aqui configurar os controlos a partir da app SoundConnect e, depois, podemos ter diferentes comandos para o auricular direito e esquerdo, por exemplo. É uma solução distinta, mas acabei por gostar, tornou-se mais simples de usar no dia a dia.
Design dos Sony LinkBuds Clip

Os auriculares apresentam uma construção que pode ser descrita como binominal. Isto é, temos a porção do altifalante que repousa à entrada do ouvido e o “centro de controlo e bateria” que fica atrás da orelha, unidos pelo loop largo e bem maleável.
Ambas as porções dos auriculares têm um acabamento em acrílico brilhante, quais dois seixos bem polidos, unidos pela porção maleável, com textura mais similar ao silicone e onde podemos tocar para controlar a reprodução, modos e demais funcionalidades.
São fáceis de colocar, corretamente, no ouvido, com cada uma das partes a encaixar quase sem esforço no sítio ideal. Neste quesito, nota positiva para os LinkBuds Clip, são fáceis de utilizar e inserir, além de confortáveis ao não aplicar demasiada pressão na orelha.
Igualmente fáceis de colocar na caixa graças à ação magnética, podemos (e devemos) atentar na indicação a vermelho (R) para o auricular direito, e a cinzento (L) para o auricular esquerdo. Em todo o caso, a curva de aprendizagem aqui foi bem breve.
Atentando na caixa, esta não parece particularmente robusta, especialmente a tampa, bastante leve (em demasia) e, portanto, não comporta aquela sensação de robustez e qualidade de materiais. Em particular, a sua dobradiça parece-nos quase frágil.
Por último, os auriculares têm o equivalente à certificação IPX4 para resistência a salpicos e suor, mas dada a sua natureza aberta, não os molhem ou submerjam.
Qualidade de chamada

Tal como a maioria dos auriculares sem-fios, também os Sony LinkBuds Clip dedicam grande atenção à qualidade das chamadas telefónicas. Possuindo um bom leque de microfones e combinando, também, dados do sensor de condução óssea que capta as vibrações da voz e as tenta controlar, estava à espera de ainda mais.
A pessoa do outro lado (o ouvinte) ouve-nos com razoável claridade, mas com a sensação de “estarmos em altifalante”, longe do ideal. Ademais, o áudio chega-nos com pouco corpo aos ouvidos, sem aquela claridade, ou timbre rico e quente que apreciamos.
Em suma, também a experiência de chamada fica aquém do expectável, sendo medíocre.
Autonomia excelente nos Sony LinkBuds Clip

Tendo em consideração o seu peso (pluma) de 6,4 gramas por auricular, a autonomia de bateria – mais de 7 horas – é excelente. Aliás, com a caixa chega até às 27 horas.
O carregamento é feito por cabo USB do Tipo-C e muito beneficiariam de carregamento sem-fios (wireless) na caixa, mas infelizmente, não o temos. Por outro lado, a carga é rápida e, bastará em média carregar a caixa uma vez por semana com o cabo.
Em suma, temos sólida duração da bateria nestes Sony LinkBuds Clip.
Conclusão

Em suma, os Sony LinkBuds Clip entregam exatamente aquilo a que se propõem. Ou seja, um produto extremamente conveniente, com controlos táteis muito práticos, firme no ouvido mas leve e confortável, ideais para uso descontraído no nosso quotidiano.
Longe de ser um paradigma na qualidade de som, entregam mínimos aceitáveis para quem quer estar sempre a par do envolvente. Isto posto, podem ser uma boa escolha para usar em ambiente de trabalho, no escritório e durante a comuta diária de casa / trabalho.
Por outro lado, para quem busca fidelidade de som, a melhor qualidade e isolamento, soluções como os WF-1000XM6 serão seguramente a opção premium, ou então os LinkBuds Open (abertos) ou até os LinkBuds Fit (para desporto), sem esquecer os WF-C710n (qualidade/preço) que muito gostei, dentro do ecossistema Sony.
Por fim, para o perfil ideal de utilizador, estes auriculares podem atingir uns 4 pontos em 5 possíveis. Porém, para o comum dos utilizadores que valorize sobretudo a qualidade de áudio e atento o preço, será um total de 2,5 em 5 pontos possíveis.
Fica mais conectado:




















