Sanita com IA já analisa fezes e urina automaticamente

Depois de lavar, secar e aquecer o assento, havia uma pergunta inevitável: o que poderia mais a sanita inteligente fazer por nós? A resposta já existe e é bastante mais curiosa: Exato, analisar os dejetos humanos. Eis então as primeiras sanitas com IA.

- Advertisement -

Pode parecer uma ideia saída de uma conversa de café, mas a verdade é que, desde que a Escala de Bristol começou a ser usada para classificar as fezes humanas, era apenas uma questão de tempo até alguém colocar inteligência artificial a fazer o mesmo trabalho.

A escala é usada há anos na prática clínica para avaliar a forma e consistência das fezes, ajudando profissionais de saúde a acompanhar alterações do trânsito intestinal. Portanto, com a explosão recente de sensores, câmaras e algoritmos de IA, o passo seguinte era quase inevitável: deixar a própria sanita fazer essa análise automaticamente.

E é precisamente isso que esta nova geração de dispositivos está a tentar fazer.

Posto isto, já existe no mercado toda uma panoplia de dispositivos equipados com sensores, câmaras e inteligência artificial capazes de observar fezes e urina. Depois, transformam essa informação num histórico de saúde apresentado no smartphone.

Parece ficção científica, saída do Star Trek. No entanto, é bem real.

- Advertisement -

A sanita com IA observa aquilo que normalmente ignoramos

Um dos exemplos mais recentes é o Dekoda, da Kohler Health. O pequeno dispositivo é instalado na sanita e aponta os seus sensores para o interior da taça.

Segundo a empresa, o sistema acompanha indicadores relacionados com saúde intestinal, hidratação e possível presença de sangue. Os resultados são depois apresentados na aplicação Kohler Health.

sanita com IA
Dekoda, da Kohler Health, a Sanita com IA.

Os produtos da Throne seguem uma abordagem semelhante. O equipamento utiliza uma câmara orientada para baixo e sensores para registar aquilo que fica na sanita. Algoritmos analisam depois características como cor e consistência das fezes, bem como alguns indicadores relacionados com a urina.

Ao fim de alguns minutos, o utilizador recebe informação na aplicação e pode acompanhar tendências ao longo do tempo.

Ou seja, em vez de depender da nossa memória, a casa de banho começa a construir uma espécie de diário automático.

Sanita com IA
Sanita com IA da Throne

Até a urina já tem o seu próprio laboratório

Há ainda soluções que dispensam completamente a análise visual.

O Withings U-Scan, por exemplo, fica instalado dentro da sanita e recolhe pequenas amostras de urina. Dependendo do cartucho utilizado, consegue acompanhar parâmetros como hidratação, pH e níveis de cálcio.

Isto mostra que a tendência vai muito além de adicionar Bluetooth à sanita.

A casa de banho está lentamente a transformar-se noutro local de recolha contínua de dados sobre o nosso corpo.

Sanita com IA
Withings U-Scan – Permite uma análise permanente à urina.

Mas será mesmo necessário analisar cada ida à casa de banho?

Aqui convém colocar algum travão no entusiasmo tecnológico.

Especialistas consideram que estas soluções podem ser interessantes para pessoas que necessitam de acompanhar regularmente problemas digestivos.

Para um adulto saudável, porém, os benefícios são bastante menos claros.

Além disso, estes equipamentos não substituem exames médicos, colonoscopias ou análises laboratoriais. A própria tecnologia de deteção automática continua a evoluir e necessita de validação adequada antes de assumir funções de diagnóstico.

Por outras palavras, uma aplicação pode ajudar a identificar tendências. Não deve decidir se estamos ou não doentes.

A verdadeira questão pode ser a privacidade

Por fim, vamos ao verdadeiro busílis. Estamos a falar de câmaras e sensores instalados num dos locais mais privados da casa. Dependendo do serviço, podem existir dados demográficos, informações introduzidas pelo utilizador e outros identificadores.

As empresas afirmam que as câmaras estão direcionadas exclusivamente para o interior da sanita. Porém, continua a existir uma pergunta importante.

Estamos preparados para colocar os nossos dados intestinais na cloud?

É provavelmente aqui que esta nova geração de dispositivos terá de conquistar a confiança do consumidor.

Relógios inteligentes já sabem quanto dormimos, quantos passos damos e como está o nosso coração. A próxima fronteira da monitorização pessoal pode ser precisamente aquela que descarregamos pela sanita.

Conveniente? Talvez.
Estranho? Sem dúvida.

Fica ainda mais conectado:

- Pub -
David Ventura
David Ventura
A simbiose entre a vida quotidiana e o prazer do desfrutar da tecnologia. O meu objetivo é claro. Ajudar quem lê a tomar decisões informadas através de linguagem clara, análises honestas e sem filtros comerciais. Encontra mais conteúdo em: IG: @davidventura.ph