Bitcoin recua para mínimo de quatro meses. E agora?

Toda a gente que investe em criptomoedas sabe – ou deveria saber – que a volatilidade faz parte do contrato. Todavia, saber intelectualmente que o Bitcoin pode cair 20% numa semana é muito diferente de viver essa queda com dinheiro real na equação. 

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A queda do Bitcoin para um mínimo de quatro meses esta semana não surpreendeu os analistas mais experientes, mas deixou marcas visíveis no sentimento de mercado e reacendeu o debate sobre a maturidade e estabilidade do mercado cripto como classe de ativos. De facto, as razões por detrás desta queda são múltiplas e nenhuma delas é simples.

Bitcoin nunca esteve tão longe do hype

Por outro lado, o contexto macroeconómico desempenha um papel que muitos investidores de cripto subestimam sistematicamente. As criptomoedas – e o Bitcoin em particular – não existem num vácuo financeiro. Reagem às mesmas forças que afetam outros ativos de risco. Ou seja, decisões dos bancos centrais sobre taxas de juro, tensões geopolíticas que aumentam a aversão ao risco, e dados de inflação que influenciam o apetite por investimentos especulativos. 

Neste sentido, a queda desta semana coincidiu com um conjunto de dados económicos que aumentaram as expectativas de manutenção de taxas de juro elevadas por mais tempo do que o mercado antecipava. 

Consequentemente, o investidor português típico que entrou no mercado cripto nos últimos anos com a narrativa de que o Bitcoin é “ouro digital” e proteção contra a inflação confronta-se, mais uma vez, com a realidade de que o Bitcoin se comporta frequentemente mais como um ativo de risco do que como uma reserva de valor. 

Será que recupera o valor de outrora?

Esta contradição entre a narrativa de marketing e o comportamento empírico do ativo é uma das fontes de maior confusão e frustração para os pequenos investidores que não têm a sofisticação dos traders institucionais para navegar estas correções com frieza. 

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O que deve o investidor português aprender com esta semana? Neste sentido, a primeira lição é a mais simples e a mais ignorada. Nunca investir em cripto mais do que se está preparado para perder completamente. 

A segunda é que os mínimos de quatro meses que parecem catástrofes num momento específico são, numa perspetiva de anos, frequentemente pontos de entrada que os investidores de longo prazo aproveitaram.

Todavia, a terceira – e mais importante – é que o mercado cripto requer literacia financeira específica que vai muito além de seguir influencers nas redes sociais. De facto, o Bitcoin vai continuar a fascinar e a decepcionar em igual medida. A questão é sempre a mesma: com que convicção e com que recursos se está a jogar este jogo.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.