A Samsung iniciou a produção em massa do PM1763, um SSD empresarial criado para os servidores de IA mais exigentes. A tecnologia deverá integrar a nova plataforma Vera Rubin da NVIDIA. Tudo isto com promessas de reduzir alguns dos maiores estrangulamentos dos centros de dados.
A saber, o utilizador comum não poderá comprar este SSD para o seu computador. Ainda assim, poderá sentir os seus efeitos nos serviços de inteligência artificial que usa através da Internet.
Novo SSD leva a IA além da potência das placas gráficas
Quando se fala em IA, quase toda a atenção recai sobre as GPUs. Contudo, os processadores precisam de receber enormes quantidades de dados sem atrasos. Um sistema de armazenamento lento deixa parte desse poder computacional por aproveitar.
Por isso, é aqui que entra o Samsung PM1763. O modelo usa a interface PCIe 6.0, V-NAND de nona geração e um controlador de 4 nanómetros. Desta forma, a Samsung disponibiliza versões de 4 TB, 8 TB e 16 TB. A variante de 16 TB atinge até 28 400 MB/s em leitura sequencial e 21 900 MB/s em escrita.
Segundo a fabricante, estes valores representam mais do dobro do desempenho do anterior PM1753. O SSD consegue transferir um modelo de linguagem com 40 GB em cerca de 1,4 segundos.
Na prática, esta velocidade ajuda a alimentar processadores e aceleradores com menos esperas. Isso pode acelerar o treino dos modelos e, sobretudo, a execução diária de serviços de IA.

Eficiência e arrefecimento também ganham importância
O desempenho não constitui o único desafio. Os centros de dados consomem muita energia e produzem calor durante tarefas intensivas.
Por isso, a Samsung preparou o PM1763 para servidores com arrefecimento líquido direto no SSD. Esta solução ajuda o equipamento a manter o desempenho durante períodos prolongados.
A empresa também afirma que a eficiência energética aumentou mais de 1,8 vezes face ao PM1753. Esse avanço pode reduzir o consumo e os custos de operação por tarefa processada.
Para Portugal, este ponto tem especial relevância. A procura por IA cresce, mas a capacidade elétrica e o arrefecimento continuam a limitar novos centros de dados.
O que este SSD de IA muda para os utilizadores
O impacto será indireto e não surgirá de um dia para o outro. A NVIDIA já colocou a plataforma Vera Rubin em produção e os parceiros começaram a preparar sistemas comerciais.
Empresas como AWS, Google Cloud, Microsoft Azure e Oracle deverão disponibilizar infraestrutura baseada em Vera Rubin. Assim, aplicações usadas em Portugal poderão beneficiar de respostas mais rápidas e de menor custo por operação.
Contudo, uma redução dos custos técnicos não garante subscrições mais baratas. Cada fornecedor decide como transfere essa poupança para os clientes.
O PM1763 também suporta algoritmos de criptografia pós-quântica e o protocolo TDISP. Segundo a Samsung, estas tecnologias reforçam a proteção dos dados em ambientes virtualizados. Ainda faltam testes independentes que confirmem o desempenho e a segurança em utilização real.
Este lançamento encaixa numa corrida mais ampla pelos componentes da IA. O Conectado já explicou a aproximação da Anthropic à Samsung no setor dos semicondutores e a aposta da NVIDIA em novos processadores para computadores.
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