A Apple confirmou que irá aumentar os preços dos seus dispositivos, numa decisão diretamente ligada à escassez global de chips de memória. Segundo o CEO Tim Cook, trata-se de uma situação “sem precedentes”, impulsionada pela crescente procura por soluções de inteligência artificial, que está a consumir grande parte da capacidade de produção disponível.
Até agora, a empresa tinha optado por absorver o aumento dos custos. No entanto, esse cenário tornou-se insustentável. Já durante a apresentação de resultados do segundo trimestre fiscal, Cook tinha alertado para um aumento significativo dos custos de memória, indicando que a Apple iria “explorar várias opções”. Agora, essa estratégia passa claramente pelo ajuste de preços ao consumidor.
Entretanto, o fenómeno – apelidado na indústria como “RAMageddon” – resulta de um desequilíbrio entre oferta e procura. Por um lado, empresas de tecnologia estão a adquirir grandes volumes de memória para data centers e aplicações de IA. Por outro, fabricantes como a Samsung e a SK Hynix aumentaram os preços de DRAM entre 50% e 70%, agravando ainda mais a pressão sobre marcas como a Apple.
O que esperar dos próximos produtos da Apple
Apesar da confirmação dos aumentos, a Apple ainda não especificou quais os produtos que serão afetados nem quando os novos preços entrarão em vigor. Ainda assim, analistas antecipam ajustes já nos próximos lançamentos de Mac e iPad, antes do tradicional evento de outono.
Relativamente ao iPhone 18 Pro, previsto para setembro, há indicações de que a Apple poderá tentar manter os preços estáveis, apesar do aumento dos custos de componentes – como os módulos de câmara, que terão subido cerca de 50%. No entanto, algumas previsões apontam para preços mais elevados nas versões com maior capacidade de armazenamento.
Importa também destacar que esta transição coincide com uma mudança na liderança: John Ternus deverá assumir o cargo de CEO a partir de setembro. Assim, caberá à nova gestão equilibrar a estratégia de posicionamento premium da Apple com a sensibilidade dos consumidores a aumentos de preço.
Em suma, a empresa enfrenta um desafio delicado: continuar a inovar e manter margens elevadas, sem comprometer a procura num contexto de inflação tecnológica crescente.
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