Cibersegurança – IA chinesa reduz distância para os EUA e aumenta rivalidade

Os sistemas de inteligência artificial desenvolvidos na China estão a aproximar-se rapidamente do desempenho dos modelos mais avançados dos Estados Unidos na área da cibersegurança. Segundo informações recentes, vários modelos chineses já conseguem igualar ou ficar muito perto das capacidades do Mythos, da Anthropic, no que diz respeito à deteção e exploração de vulnerabilidades informáticas. 

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Neste contexto, a Zhipu AI destacou-se com o lançamento do GLM-5.2, um modelo open-weight com 744 mil milhões de parâmetros, que, de acordo com testes independentes, conseguiu igualar o desempenho do Mythos em benchmarks específicos de cibersegurança. A empresa de investigação Graphistry concluiu que o GLM-5.2 obteve 28 acertos em 59 desafios no benchmark CyBT-CTF, alcançando um nível semelhante ao de modelos proprietários da Anthropic e da OpenAI, mas com custos significativamente mais baixos.

Cibersegurança continua a ser um tema chave

Além disso, o modelo foi lançado sob licença MIT e inclui uma janela de contexto de um milhão de tokens, o que lhe permite analisar bases de código extensas de uma só vez. Como resultado, esta capacidade pode acelerar a identificação automatizada de falhas de software e reforçar o papel da IA em operações ofensivas e defensivas de cibersegurança. 

Por outro lado, a 360 Security Technology apresentou, durante a conferência ISC.AI 2026 em Pequim, duas novas ferramentas baseadas em IA: Tulongfeng, orientada para a descoberta automática de vulnerabilidades, e Yitianzhen, focada em defesa cibernética e resposta a incidentes. O fundador da empresa, Zhou Hongyi, chegou mesmo a descrever a Tulongfeng como “a versão chinesa do Mythos”. Segundo o executivo, a ferramenta já terá identificado 3.432 falhas de software, das quais 105 foram confirmadas por entidades governamentais chinesas. 

Ainda assim, Zhou reconheceu que continua a existir uma diferença de 20% a 30% face aos modelos norte-americanos mais avançados. No entanto, sublinhou que a criação de equipas especializadas em ataque e defesa poderá ser tão ou mais importante do que depender apenas de um único modelo de IA. 

Acusações contra a Alibaba agravam tensão tecnológica entre China e EUA

Ao mesmo tempo, a rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos ganhou uma nova dimensão após a Anthropic acusar a Alibaba e a divisão Qwen AI de alegadamente terem realizado uma operação massiva de distilação indevida do Claude. De acordo com uma carta enviada a senadores norte-americanos e a responsáveis da Casa Branca, operadores ligados à Alibaba terão criado cerca de 25 mil contas falsas e realizado 28,8 milhões de interações com o Claude entre 22 de abril e 5 de junho de 2026. 

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Segundo a Anthropic, esta terá sido “a mais significativa operação conhecida de distilação” contra os seus sistemas. Entretanto, tanto o Financial Times como a Bloomberg referiram ter confirmado de forma independente a existência destas alegações. 

Consequentemente, este caso surge num momento particularmente sensível para a indústria. Por um lado, os modelos chineses estão a evoluir rapidamente e a tornar-se mais acessíveis em formato open source. Por outro, os controlos de exportação impostos pelos EUA limitaram o acesso internacional a modelos de fronteira desenvolvidos por empresas norte-americanas, incluindo a própria Anthropic. 

Assim, vários analistas consideram que a estratégia de contenção tecnológica de Washington poderá estar a perder eficácia. À medida que ferramentas avançadas de hacking assistido por IA se tornam mais baratas e mais acessíveis, cresce também a preocupação quanto ao impacto destas capacidades no equilíbrio global da cibersegurança e da competição tecnológica.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.