O Yahoo Scout é a nova grande aposta da Yahoo na pesquisa com inteligência artificial. Mas, com uma ambição clara: usar IA sem “apagar” a web por detrás das respostas. Em vez de se limitar a despejar um parágrafo gerado por um modelo e esconder as fontes num canto da interface, o serviço foi pensado para manter os links em primeiro plano e para continuar a enviar tráfego para os sites que produzem a informação.
Com efeito, a Yahoo quer, no fundo, recuperar a imagem de portal que guia o utilizador pela internet. De igual modo o Scout funciona como um motor de respostas. Dessa maneira, escrevemos uma pergunta em linguagem natural e recebemos um texto corrido, em tom relativamente informal, que tenta explicar o tema de forma rápida e organizada.
A última cartada da Yahoo?
Porém, a grande diferença face a muitas experiências de pesquisa com IA é que, aqui, os links são parte visível da resposta. Por um lado, o texto vem repleto de referências clicáveis e, por baixo, surgem ainda módulos com notícias recentes, secções temáticas e uma lista mais extensa de fontes para quem quiser aprofundar. Por outro lado, em vez de incentivar o “zero clique”, o produto foi desenhado para ser um ponto de partida, não um destino final.
Do ponto de vista técnico, o Yahoo Scout assenta em modelos da Anthropic, a empresa responsável pelo Claude, combinados com a infraestrutura de pesquisa existente e com o vasto acervo de conteúdos da própria Yahoo. Isto é, por detrás da resposta em linguagem natural, há um sistema de grounding que vai buscar informação atualizada à web e a fontes editoriais com algum nível de curadoria.
Igualmente, a Yahoo acrescenta ainda “personalidade” e dados próprios. Sobretudo em áreas como finanças, desporto e notícias, onde mantém uma presença forte há anos. Em consequência, tal ajuda a dar consistência ao tipo de respostas que o Scout oferece.
Porém, o que realmente distingue este projeto é a forma como tenta reposicionar a relação entre IA e publishers. Como resultado, num momento em que muitos meios se queixam de perda de tráfego por causa de respostas geradas diretamente na página de resultados. Assim sendo, a Yahoo apresenta o Scout como um exemplo de que é possível fazer o contrário. Ou seja, usar IA para organizar informação, mas sem cortar o caminho até aos sites de origem. No geral, a interface encoraja o clique. Destaca a atribuição e torna visível a lista de fontes, algo que pode tornar o serviço mais apetecível para quem depende de visitas para sustentar um negócio de conteúdos.
Finalmente, para os utilizadores, a proposta é simples. Menos tempo a saltar entre separadores, mais clareza na origem da informação. Podemos fazer perguntas complexas – desde dúvidas práticas do dia a dia a temas mais técnicos – e receber um resumo bem estruturado, com a segurança de que é fácil ver de onde veio cada afirmação.
Em suma, para os criadores e para os media, o Scout representa uma experiência alternativa. Enfim, num cenário dominado por motores de busca que tendem a absorver cada vez mais tráfego. Se a aposta resultar, pode obrigar outros gigantes da pesquisa a repensar a forma como integram IA nos resultados e a dar mais destaque à web aberta. Em vez de a esconder atrás de caixas de texto cada vez mais completas.
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