O Windows Latest publicou uma análise detalhada de materiais internos alegadamente divulgados sobre o Projeto Aion. A fuga de informação inclui um site interno do SharePoint chamado “CopilotOS”, com separadores como “The Pillars”, “AI Devices”, “Self Driving OS” e “Key Tech”.
Segundo os documentos, a Microsoft descrevia o Copilot como “a principal forma de as pessoas se expressarem, se entreterem, aprenderem e concluírem tarefas em todas as áreas das suas vidas”. Para isso, a empresa estaria a desenvolver aquilo a que chamou internamente um “agente de agentes” ou “agente externo”.
Um “sistema operativo autónomo” baseado no Edge
O Projeto Aion funcionaria sobre uma versão reduzida do Windows, designada “Win3”, integrada numa versão personalizada do Microsoft Edge. Ao contrário do Windows tradicional, não teria menu Iniciar, ícones no ambiente de trabalho nem suporte nativo para aplicações Win32.
Em vez disso, cada conversa com o Copilot transformar-se-ia numa janela própria, com um ícone gerado de acordo com o respetivo contexto. Sempre que fosse necessário recorrer a software de ambiente de trabalho convencional, o sistema disponibilizaria um botão “Launch Windows 365”, capaz de iniciar uma sessão de PC na cloud através de streaming.
Além disso, o sistema teria sido pensado para funcionar em várias plataformas. O Aion poderia correr sobre a base open source do Android (AOSP), na camada leve Win3 e até no Windows 11. Assim, a Microsoft parecia encarar o projeto como uma interface web portátil, adaptável a diferentes tipos de dispositivos.
Embora seja improvável que o Projeto Aion chegue ao mercado como produto autónomo, a fuga de informação mostra até que ponto a Microsoft considerou uma abordagem radicalmente diferente para o futuro do Windows: um sistema operativo em que a IA substitui grande parte da interface tradicional.
Porque é importante agora e o que pode seguir-se
Darren Allan, da TechRadar, argumentou que o Aion pode já estar morto, mas a sua existência demonstra a seriedade com que a Microsoft avaliou um futuro “AI-first” para o Windows. Ainda assim, a empresa parece ter recuado temporariamente em algumas integrações: removeu funcionalidades do Copilot de aplicações como a Ferramenta de Recorte, o Bloco de Notas e as Fotografias.
Segundo Allan, este recuo poderá estar relacionado com limitações de hardware, em particular uma alegada crise no fornecimento de RAM que levou ao regresso de computadores portáteis com 8 GB de memória. Paralelamente, o Windows Latest considera que o projeto “muito provavelmente nunca será lançado”, sobretudo tendo em conta a prioridade atribuída por Pavan Davuluri, responsável pelo Windows, à melhoria do Windows 11.
No entanto, vários elementos da visão do Aion poderão sobreviver. A Microsoft continua a desenvolver capacidades de agentes de IA no Windows 11, incluindo espaços de trabalho para agentes, testados desde o final de 2025. Estes permitem que agentes de IA operem a partir da barra de tarefas, com acesso limitado e controlado a ficheiros.
Por isso, é possível que conceitos como conversas que funcionam como aplicações, IA capaz de interpretar elementos de páginas web e ambientes de trabalho transmitidos a partir da cloud acabem por chegar gradualmente ao Windows 11. Em suma, o Aion pode não se tornar num novo sistema operativo, mas poderá antecipar a direção que a Microsoft pretende seguir: um Windows progressivamente mais centrado no Copilot e na automação por IA.
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