A DeepSeek lançou na sexta-feira a beta pública da API oficial do modelo V4-Flash, reforçando as suas capacidades de agentes e acrescentando suporte nativo ao formato Responses API, bem como compatibilidade com o Codex. O anúncio surgiu no mesmo dia em que várias empresas chinesas de inteligência artificial revelaram novos produtos, evidenciando a aceleração do setor no país.
Estes lançamentos ocorrem num contexto de concorrência crescente entre empresas de IA chinesas e norte-americanas. A MiniMax, startup sediada em Xangai e cotada em Hong Kong, apresentou o H3, um modelo multimodal capaz de gerar vídeos até 15 segundos em resolução 2K, com som estéreo nativo, numa única passagem.
Guerra de preços e aposta no open source de DeepSeek
Segundo a Reuters, a MiniMax afirma que o modelo custa menos de um terço das alternativas mais populares para geração em 2K. Além disso, a empresa prevê disponibilizar os pesos do H3 nos próximos dias. Por sua vez, a ByteDance lançou o Seedance 2.5, um modelo de geração de vídeo que aumenta a duração máxima de cada vídeo de 15 para 30 segundos. Entre as utilizações previstas estão o treino de robôs e a simulação para condução autónoma.
Entretanto, a DeepSeek afirmou, através do seu registo de alterações, que o V4-Flash atualizado alcança resultados de benchmark “muito superiores” aos do V4-Pro-Preview. A empresa adiantou ainda que uma versão oficial do DeepSeek-V4-Pro deverá ser lançada em breve. O DeepSeek V4-Flash tem um preço de 0,14 dólares por milhão de tokens de entrada e 0,28 dólares por milhão de tokens de saída, com uma janela de contexto de um milhão de tokens.
Os lançamentos reforçam uma tendência de preços competitivos, com empresas chinesas a disponibilizarem alternativas mais económicas às soluções norte-americanas. De acordo com a CNBC, as empresas chinesas têm acelerado o lançamento de modelos de IA de menor custo, enquanto Pequim promove a adoção internacional da sua tecnologia.
Atualmente, os modelos open source desenvolvidos na China representam 41% dos downloads globais. Além disso, segundo a CCTV, os cinco modelos com maior volume de chamadas na plataforma OpenRouter, em julho, eram todos chineses. No entanto, esta ofensiva tecnológica coincide com tensões geopolíticas. Alguns responsáveis norte-americanos indicaram que poderão investigar empresas chinesas de IA por alegações de “destilação” a partir de modelos de ponta dos Estados Unidos. Em resposta, o Ministério do Comércio da China rejeitou as acusações, considerando que não têm “base factual nem justificação legal”.
A decisão da MiniMax de disponibilizar os pesos do seu modelo de vídeo representa, por isso, uma expansão relevante da estratégia open source para a geração de vídeo, uma área em que muitos dos modelos mais conhecidos continuam fechados e proprietários. Hu Qimu, professor no Instituto da Rota da Seda Marítima da Universidade de Huaqiao, disse ao Global Times que a concentração destes anúncios resulta de “um período de avanços concentrados”, após anos de investimento contínuo.
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