A Apple lançou a aguardada reformulação da Siri no beta público do iOS 27, oferecendo finalmente uma assistente de IA capaz de cumprir aquilo que os utilizadores esperavam há anos. No entanto, quando a empresa chega a este ponto, o ecossistema de inteligência artificial já evoluiu consideravelmente.
Disponível para os participantes da beta pública desde 14 de julho, a nova Siri representa a maior atualização de sempre da assistente digital da Apple. Desenvolvida com os Apple Foundation Models, treinados com tecnologia Gemini da Google, a Siri consegue agora manter conversas naturais com várias interações, compreender o contexto pessoal do utilizador, incluindo e-mails, fotografias e eventos de calendário, e executar tarefas entre aplicações com uma fiabilidade muito superior.
Por exemplo, os utilizadores podem pedir à Siri para encontrar um recibo guardado no iPhone sem indicarem onde está, extrair o número da carta de condução a partir de uma fotografia ou sugerir receitas com base nos ingredientes que têm no frigorífico. Além disso, a assistente pode identificar objetos através da câmara, ajudar a dividir a conta de um restaurante e recuperar conversas anteriores numa aplicação dedicada.
Siri AI chega num período tardio e mais exigente
A Apple mantém, ainda assim, a privacidade como um dos principais pilares da nova experiência. Segundo Craig Federighi, vice-presidente sénior da empresa, os modelos funcionam nos chips da Apple e através da infraestrutura Private Cloud Compute. Desta forma, os pedidos são desidentificados antes de qualquer processamento que envolva a Google.
Apesar das melhorias técnicas, a receção ao lançamento tem sido relativamente contida. Afinal, ser uma assistente conversacional funcional já não é, por si só, uma inovação disruptiva: as ferramentas concorrentes já escrevem código, controlam computadores e executam fluxos de trabalho complexos de forma autónoma.
Esta evolução resulta da parceria entre a Apple e a Google, anunciada em janeiro de 2026. De acordo com informações avançadas na imprensa, a Apple terá acordado pagar cerca de mil milhões de dólares por ano para desenvolver os seus modelos de base com tecnologia Gemini. Tim Cook afirmou, em abril, que a colaboração está “a correr bem”, antes da sua saída do cargo de CEO a 1 de setembro, data em que John Ternus deverá assumir a liderança da empresa.
A nova Siri exige um iPhone 15 Pro ou mais recente, deixando centenas de milhões de equipamentos mais antigos sem acesso às funcionalidades de IA. Por outro lado, a União Europeia e a China ficarão fora da fase inicial de lançamento devido a exigências regulamentares. A versão final deverá chegar com o iOS 27, em setembro de 2026.
Ainda existem limitações importantes. A Siri não consegue executar agentes autónomos, programar ou controlar um computador como o ChatGPT ou o Claude. Contudo, a Apple indicou que o iOS 27 poderá permitir aos utilizadores escolher modelos de IA disponíveis na App Store como motor subjacente da Siri. Se essa possibilidade se confirmar, poderá alterar significativamente as capacidades da assistente. Embora, para já, a atualização pareça mais uma correção há muito necessária do que uma verdadeira revolução.
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