A União Europeia continua sem conseguir garantir acesso ao modelo de inteligência artificial Claude Mythos, desenvolvido pela Anthropic, e essa situação está a aumentar a frustração entre responsáveis europeus.
A ferramenta, considerada altamente avançada no domínio da cibersegurança, foi criada para identificar vulnerabilidades informáticas desconhecidas e até gerar explorações funcionais, o que a torna especialmente relevante para bancos, empresas e organismos públicos que pretendem reforçar a sua resiliência digital.
Segundo declarações recentes do ministro da Economia de Espanha, Carlos Cuerpo, as conversações entre a União Europeia e a Anthropic têm registado poucos avanços. Ainda que o tema continue em cima da mesa nas reuniões entre as partes, a falta de progresso está a alimentar preocupações num momento em que outras economias já estão a avançar.
UE tenta negociar acesso ao Mythos, mas enfrenta resistência
Entretanto, o Japão está a mover-se com maior rapidez. De acordo com a imprensa japonesa, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou responsáveis nipónicos de que o governo japonês e várias empresas do país deverão obter acesso ao Claude Mythos nas próximas semanas.
Além disso, os três maiores bancos do Japão (MUFG, Sumitomo Mitsui e Mizuho) deverão poder utilizar o sistema até ao final de maio. Ao mesmo tempo, a Agência de Serviços Financeiros do Japão já criou um grupo de trabalho público-privado para coordenar uma resposta estratégica a possíveis ameaças cibernéticas associadas a modelos de IA avançados.
Por outro lado, a Europa continua numa posição mais limitada. Embora a Comissão Europeia tenha sido informada pela Anthropic sobre as capacidades e os riscos do Claude Mythos, Bruxelas pretende ir mais longe e permitir que empresas europeias também possam usar esta tecnologia em testes de ciber-resiliência. Essa ambição, no entanto, ainda não se traduziu em resultados concretos.
Japão garante acesso antecipado e mobiliza setor financeiro com a Anthropic
Importa recordar que a Anthropic apresentou o Claude Mythos Preview em abril como um modelo demasiado sensível para lançamento público. O CEO da empresa, Dario Amodei, alertou para uma janela curta, entre seis a doze meses, para corrigir dezenas de milhares de falhas de software antes que sistemas concorrentes atinjam o mesmo nível de capacidade. Nesse sentido, o debate não é apenas comercial, mas também estratégico e geopolítico.
Além disso, a pressão sobre a União Europeia aumentou depois de a OpenAI ter concordado, em maio, em dar ao bloco acesso a um modelo concorrente de cibersegurança. Como resultado, a diferença de tratamento entre empresas tecnológicas norte-americanas tornou-se mais visível. Assim, a dificuldade da Europa em chegar a um entendimento com a Anthropic pode ter impacto direto na sua preparação face a ameaças digitais cada vez mais sofisticadas.
Numa altura em que a cibersegurança se tornou uma prioridade para governos, bancos e grandes empresas, o atraso europeu neste dossier poderá traduzir-se numa desvantagem relevante. Por isso, a pressão política e institucional para desbloquear o impasse deverá continuar a crescer nas próximas semanas.
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